Resposta
É importante entender um pouco da história dos "Irmãos". A restauração da verdade que ocorreu no século 19 não aconteceu em questão de dias ou meses, mas levou anos. Os primeiros irmãos que se congregavam simplesmente para partir o pão ainda não tinham considerado a necessidade da recepção de alguém à mesa do Senhor, por isso não existiam ainda princípios neste sentido. Foi só quando ocorreu o problema de Bethesda (a divisão dos "Irmãos Abertos" em 1845-48) que entenderam que seria preciso tomar cuidado ao receberem pessoas em comunhão, em especial aquelas que viessem do grupo divergente.
**O cuidado na recepção é bíblico** – A Bíblia ensina que a assembleia deve ser cuidadosa em não receber à comunhão alguém que talvez esteja envolvido com o mal, seja um mal moral, doutrinal ou eclesiástico. O princípio é simples. Se uma assembleia local é responsável por julgar o mal em seu meio, excomungando os malfeitores (1 Co 5:12), então naturalmente se entende que ela deve ser cuidadosa com o quê ou quem traz para o seu meio.
Alguém disse corretamente que a assembleia local não deve ter uma comunhão aberta, e nem deve ter uma comunhão fechada, mas **uma comunhão protegida**.
**Quem decide quem deveria estar em comunhão?** – É importante entender que os irmãos na assembleia local não decidem o que é adequado à mesa do Senhor e o que não é. Isto é algo que compete à Palavra de Deus. A mesa não é dos irmãos, a mesa é do Senhor (1 Co 10:21). A decisão vem totalmente da Palavra de Deus.
**Os testemunhos pessoais não seriam suficientes?** – A assembleia, biblicamente falando, não faz coisa alguma baseada no que diz apenas uma testemunha. "Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda a palavra" (2 Co 13:1). Por esta razão a assembleia não deve receber pessoas com base em seu próprio testemunho.
Atos 9:26-29 nos dá um exemplo: quando Saulo de Tarso foi salvo, ele quis entrar em comunhão com os santos em Jerusalém, porém foi rejeitado. Foi só quando Barnabé levou Saulo consigo e o apresentou aos irmãos, testificando de sua fé e caráter, que os irmãos o receberam.
**Colocando a profissão de fé da pessoa à prova** – Em 2 Timóteo 2:19 diz que "qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade". Se uma pessoa não apartar-se da iniquidade, seu modo de agir não condiz com sua profissão de fé.
**Tiago 2:1-4 não é um modelo para a igreja** – A passagem não está falando da assembleia cristã, mas de uma sinagoga judaica! A palavra "ajuntamento" deveria ser traduzida como "sinagoga". Estes versículos nada têm a ver com a prática da assembleia.
A verdade estava em processo de ser redescoberta nos primeiros dias da história dos "Irmãos". Um dos assuntos sobre os quais eles receberam "mais luz" foi o da recepção à mesa do Senhor. O problema ocorrido em Bethesda foi o que os levou a isso. Daí em diante eles passaram a ser mais cuidadosos ao receberem pessoas à comunhão. Portanto, não é válido apontar para a prática adotada pelos irmãos nos primeiros dias como um modelo para a assembleia hoje.
Publicado em: 29 de março de 2026